Análise financeira

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Análise financeira do Maior de MG

O que acontece com o nosso dinheiro?

Em 22/04/2017 00:04

Análise financeira do Maior de MG

Você, caro torcedor celeste, sabe que o Cruzeiro tem um prejuízo acumulado de R$ 160,7 milhões de reais nos últimos seis anos? Há alguns dias, o Balanço Financeiro referente ao ano passado foi aprovado pelo Conselho Deliberativo do clube. Detalhe: o documento apresenta um déficit de R$ 29,3 milhões, conforme informações antecipadas pelo portal Superesportes.

Coincidência ou não, veículos de comunicação argentinos noticiaram durante esta semana que o Cruzeiro teria sido acionado na FIFA por Independiente e Huracán, que cobram pagamentos relativos à aquisição do meia Matías Pisano, transferido ao Tijuana, do México, no início desta temporada, e do atacante Ramón Ábila, atual camisa 9 cruzeirense, respectivamente.

O montante alegado pelos clubes argentinos alcança cerca de R$ 7 milhões (sendo R$ 2,3 ao Independiente e outros R$ 4,7 milhões ao Huracan). Contudo, o Cruzeiro ainda não se manifestou de forma clara depois dos novos desdobramentos.

No entanto, caso a FIFA aceite as denúncias expostas pelos clubes argentinos e o clube celeste seja condenado, será obrigado a quitar as dívidas, além da possibilidade de ser multado ou sofrer outras sanções disciplinares, como ser proibido de efetuar novas contratações por determinado período.

A evolução dos Balanços Financeiros celestes causa estranheza por demonstrar que a aplicação das receitas do clube com futebol oscila muito, não há evidências da existência de um planejamento de médio e longo prazos. Vamos a alguns exemplos:

No ano de 2013, quando o Cruzeiro retornou ao Mineirão e foi tricampeão Brasileiro, houve elevação de pouco mais de R$ 53 milhões na receita obtida com bilheteria e premiações. Este valor, combinado a outros acréscimos menores, proporcionou ao clube uma receita total de mais de R$ 187 milhões. Naquela temporada, o Cruzeiro gastou, apenas com futebol, aproximadamente R$ 157 milhões e, mesmo assim, apresentou prejuízo de quase R$ 23 milhões.

Já em 2014, com o retorno à Libertadores, o Cruzeiro aumentou ainda mais seus rendimentos com bilheteria (o sócio torcedor estava a todo vapor) e atingiu uma receita global de R$ 223 milhões. Uma elevação de 19% em relação ao ano anterior. Com a disputa de uma competição de maior porte, os gastos com futebol naturalmente também aumentaram. Desta vez, em 22%, agora para R$ 193 milhões. O prejuízo naquela temporada foi de R$ 38 milhões.

Embora os resultados financeiros não fossem bons, a elevação dos gastos era justificada pelas necessidades em campo. Porém, o Cruzeiro, na temporada 2015, obteve a maior receita operacional total de sua história: mais de R$ 363 milhões. O que aconteceu com os gastos com futebol, caro torcedor?

Sim, aumentaram. E muito! Com um time titular que contava com jogadores medianos, como Marquinhos e Willians, os custos do Cruzeiro com futebol cresceram para surreais R$ 306 milhões! Ou seja, uma elevação de mais de R$ 113 milhões ou 58,5% em relação a 2014, ano do Tetracampeonato Brasileiro.

Em 2016, o balanço aprovado no dia 17 de abril pelo nosso Conselho Deliberativo, apresenta um gasto com futebol da ordem de R$ 193 milhões. No gráfico a seguir, é possível enxergar a elevação sequencial dos custos com futebol:

 

O que se percebe é que os investimentos feitos pelo clube não seguem um padrão ou, pelo menos aparenta, não seguir uma estimativa financeira que determine a real condição do clube para realizar gastos vultuosos no mercado de transferências, como nos casos de Ábila e Pisano.

Basicamente, se essa evolução permanecer ao longo do tempo, todos os anos serão de prejuízos, como foram os últimos seis. Isso não é normal e pode ter consequências sérias no futuro próximo. É um ciclo muito pouco saudável financeiramente.

Além de demonstrar fragilidade financeira, o surgimento de notícias sobre a inadimplência celeste junto a clubes da Argentina, danifica a reputação do clube como instituição séria.

O Cruzeiro é o Time do Povo e, para representá-lo de forma fiel, precisa defender os mesmos valores.

Pagar as contas em dia não é mérito, é obrigação!

 

Por: André Mapa