Cruzeiro deixa a torcida feliz

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COLUNA DO JAECI

Cruzeiro deixa a torcida feliz. Galo preocupa a Massa com futebol fraco

Num Brasil tão violento, os jogadores deveriam dar o exemplo, porém, como não mostram bom futebol, querem encarar o rival com empurrões, para dizer que são machões

Jaeci Carvalho /Estado de Minas

postado em 02/04/2017 12:00

Ramon Lisboa/EM/D.A Press

O Cruzeiro derrotou o Galo por 2 a 1, ontem, no Mineirão, em partida que nada valia em termos de classificação – embora o Cruzeiro tenha confirmado o segundo lugar na tabela –, mas que significava muito pela rivalidade entre ambos. Foi uma partida fraca, onde os goleiros poucos trabalharam, e em que Geovanni foi o principal responsável pela derrota, falhando nos dois gols. “São Victor” está fazendo falta. Há quase dois anos o time azul não perde para o alvinegro. São sete jogos, com cinco vitórias e dois empates. Os gols foram de Thiago Neves e De Arrascaeta, descontando Elias para o Galo.

Com pouco mais de 1 minuto, o Cruzeiro fez 1 a 0, desmontando qualquer esquema que o Atlético tenha planejado. Bela jogada pela esquerda, De Arrascaeta serviu Thiago Neves na entrada da área. O chute saiu fraquíssimo, de pé direito, e Giovanni levou um frangaço. Era tudo o que o time azul queria, para mostrar que no Mineirão manda ele. O clássico só valia pela rivalidade, e confesso que o primeiro tempo foi abaixo de qualquer média. Uma falta muito bem cobrada por Otero, que Rafael defendeu, com dificuldade, e um chute de Rafinha da entrada da área, que tirou tinta do travessão. Vocês acham que um clássico dessa tradição merecia somente isso? E, para piorar as coisas para o lado alvinegro, Fred, em atitude irresponsável, disputou uma jogada com Manoel e, nitidamente, deu um soco na cara dele, sendo muito bem expulso pelo árbitro Igor Benevenuto, que, diga-se de passagem, fez a melhor atuação em sua carreira. Sóbrio, sem medo de errar, aplicando o que tinha que aplicar. Anulou dois gols, um do Cruzeiro e outro do Atlético, corretamente. Até na expulsão de um gandula mostrou firmeza. Porém, fiquei decepcionado com o que vi. É bem verdade que em termos de classificação, como coloquei na coluna de ontem, nada valia. Porém, esperava mais, principalmente do Cruzeiro, que, na minha visão, está mais bem encorpado e mais bem preparado.

Não entendo a insistência de Roger Machado com o Cazares. O cara é absolutamente comum, some nos grandes jogos e prejudica sua equipe. Eu disse que jogador equatoriano não pode mesmo ser solução para nada. E Otero, exceto pela cobrança de falta, que citei acima, é outro que não tem a menor condição de ser titular do Galo. Também, jogador venezuelano, onde o futebol é o quinto esporte em preferência popular, perdendo para beisebol, basquetebol, boxe, voleibol e ciclismo, não poderia mesmo dar certo. Estou esperando que tanto ele quanto Cazares ganhem um título, jogando como titulares e sendo protagonistas, para que me desmintam. Entretanto, como não acredito em Papai Noel – acreditava quando era criança –, desse mal não morrerei. Estou muito preocupado com o Galo na Libertadores. Nos dois únicos jogos em que fez contra equipes do seu tamanho, foi um fiasco. Se quiser mesmo tentar o bicampeonato da Libertadores, precisa melhorar muito, da água para o vinho. Já coloquei neste espaço que Victor, Marcos Rocha, Léo Silva, Elias, Robinho e Fred são jogadores de alto nível. Meio time, que poderia fazer a diferença. Mas não está fazendo. O Atlético, embora mais organizado taticamente do que no ano passado, não tem jogadas, não tem qualidade na transição da bola do meio-campo para o ataque.

Aí, quando o torcedor espera uma mudança de qualidade, Roger troca Cazares por Luan. É bem verdade que Luan virou ídolo da torcida, não pelo futebol, que é fraco, mas pela garra e pela raça. Lamentavelmente, tem sérios problemas no joelho, como me relatou o médico Rodrigo Lasmar, e, dessa forma, não consegue produzir mais do que mostra. Uma pena, pois tem a cara do Galo.

E veio o segundo tempo. O jogo continuou morno, até que Thiago Neves tocou para De Arrascaeta. Ele chutou forte, mas Geovanni, mais uma vez, falhou, pois tocou na bola, que morreu no fundo do gol: 2 a 0. Imediatamente, Roger chamou Marlone, contratado recentemente. O dia em que Marlone, que passou por Vasco, Fluminense, Cruzeiro e Corinthians, for solução para alguma coisa… Infelizmente, o futebol brasileiro é isso que estamos vendo. Ninguém acreditava mais no goleiro Giovanni, e Rafael Sóbis, de longe, soltou a bomba, e quase marcou o terceiro. O Galo estava entregue, perdido, e o único grito que se ouvia no Mineirão era da torcida azul, dando show. Porém, em bela jogada de He-Man, a bola sobrou para Elias, que chutou e diminuiu: 2 a 1.

É lamentável quando a gente percebe que os jogadores se deixam contaminar pelo clima de animosidade que reina entre os torcedores. Houve uma confusão entre eles, que mostrou o despreparo de atletas que deveriam se respeitar, pelo menos profissionalmente. Num Brasil tão violento, os jogadores deveriam dar o exemplo. Porém, como não mostram bom futebol, querem justificar encarando o rival com empurrões, para dizer ao torcedor que são “machões”.

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